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Toda a Sagrada Escritura — os 73 livros — lida e ouvida ao longo de um ano, um pouco do Antigo Testamento, um Salmo e o Novo Testamento a cada dia.

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Gênesis · Mateus
Gn 41-43 · Mt 12
4 capítulos · 179 versículos · cerca de 26 min de leitura

Gênesis 41

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🎧 Ouvir (Gênesis 41)

1 Passados dois anos, o faraó teve um sonho. Parecia-lhe estar de pé junto ao rio,

2 do qual subiam sete vacas, formosíssimas e muito gordas, que pastavam em lugares pantanosos.

3 Outras sete também emergiam do rio, feias e consumidas pela magreza, e pastavam na própria margem do rio, em lugares verdejantes;

4 e devoraram aquelas cuja aparência era admirável e cujos corpos eram bem nutridos. O faraó despertou,

5 voltou a dormir e teve outro sonho: sete espigas brotavam de um só colmo, cheias e belas;

6 e outras tantas espigas, finas e crestadas pela ferrugem, também surgiam,

7 devorando toda a beleza de todas as primeiras. O faraó acordou depois do repouso,

8 e, vinda a manhã, aterrorizado de pavor, mandou chamar todos os adivinhos do Egito e todos os sábios; e, convocados, contou-lhes o sonho, mas não havia quem o interpretasse.

9 Então, por fim, lembrando-se, o chefe dos copeiros disse: «Confesso o meu pecado:

10 irado o rei contra os seus servos, mandou que eu e o chefe dos padeiros fôssemos lançados no cárcere do comandante dos soldados;

11 onde, numa só noite, ambos tivemos um sonho que pressagiava o futuro.

12 Estava ali um jovem hebreu, servo do mesmo comandante dos soldados; e, contando-lhe nós os sonhos,

13 ouvimos tudo aquilo que depois o desfecho dos fatos confirmou; pois eu fui restituído ao meu cargo, e ele foi pendurado na cruz.»

14 Sem demora, por ordem do rei, tiraram José do cárcere e o raparam; e, mudada a veste, apresentaram-no a ele.

15 E o rei lhe disse: «Tive sonhos, e não há quem os explique; ouvi que tu os interpretas com grande sabedoria.»

16 José respondeu: «Sem mim, Deus dará ao faraó uma resposta favorável.»

17 Contou, então, o faraó o que havia visto: «Parecia-me estar de pé sobre a margem do rio,

18 e sete vacas subirem do rio, formosíssimas e de carnes gordas, que apanhavam a relva no pasto do pântano.

19 E eis que outras sete vacas seguiam a estas, tão disformes e magras que nunca vi semelhantes na terra do Egito;

20 as quais, devoradas e consumidas as primeiras,

21 não deram sinal algum de saciedade, mas permaneciam entorpecidas com a mesma magreza e sordidez. Despertando, e de novo tomado pelo sono,

22 tive um sonho: sete espigas brotavam de um só colmo, cheias e formosíssimas.

23 Outras sete também, finas e crestadas pela ferrugem, surgiam do talo;

24 e devoraram a beleza das primeiras. Contei o sonho aos adivinhos, e não há quem o explique.»

25 José respondeu: «O sonho do rei é um só: Deus mostrou ao faraó o que vai fazer.

26 As sete vacas formosas e as sete espigas cheias são sete anos de fartura, e ambas encerram o mesmo significado do sonho.

27 As sete vacas magras e descarnadas, que subiram após aquelas, e as sete espigas finas e fustigadas pelo vento ardente, são sete anos vindouros de fome.

28 Os quais se cumprirão nesta ordem:

29 eis que virão sete anos de grande fertilidade em toda a terra do Egito,

30 aos quais se seguirão outros sete anos de tão grande esterilidade, que toda a abundância anterior será entregue ao esquecimento; pois a fome consumirá toda a terra,

31 e a grandeza da escassez destruirá a grandeza da fartura.

32 Quanto a teres visto pela segunda vez um sonho referente à mesma coisa, é sinal de firmeza, porque a palavra de Deus se realiza e mais rapidamente se cumpre.

33 Agora, pois, providencie o rei um homem sábio e diligente, e o ponha à frente da terra do Egito,

34 que constitua administradores por todas as regiões; e a quinta parte dos frutos, durante os sete anos de fertilidade

35 que agora estão para vir, recolha nos celeiros; e todo o trigo, sob o poder do faraó, seja armazenado e guardado nas cidades.

36 E que se prepare contra a futura fome de sete anos, que há de oprimir o Egito, e a terra não será consumida pela escassez.»

37 O conselho agradou ao faraó e a todos os seus ministros;

38 e falou-lhes: «Poderemos acaso encontrar tal homem, que esteja cheio do espírito de Deus?»

39 Disse, então, a José: «Visto que Deus te mostrou tudo o que disseste, poderei eu acaso encontrar alguém mais sábio e semelhante a ti?

40 Tu estarás sobre a minha casa, e ao mando da tua boca todo o povo obedecerá; somente no único trono do reino te precederei.»

41 E disse de novo o faraó a José: «Eis que te constituí sobre toda a terra do Egito.»

42 Tirou o anel da própria mão e o pôs na mão dele; vestiu-o com uma túnica de linho fino e colocou-lhe ao pescoço um colar de ouro.

43 E fê-lo subir no seu segundo carro, clamando o arauto que todos diante dele dobrassem o joelho e soubessem que ele fora constituído sobre toda a terra do Egito.

44 Disse também o rei a José: «Eu sou o faraó: sem a tua ordem, ninguém moverá a mão ou o pé em toda a terra do Egito.»

45 E mudou-lhe o nome e o chamou, na língua egípcia, Salvador do mundo. E deu-lhe por esposa Asenet, filha de Putífar, sacerdote de Heliópolis. Saiu, pois, José pela terra do Egito.

46 (Tinha trinta anos quando se apresentou diante do rei faraó), e percorreu todas as regiões do Egito.

47 E veio a fertilidade dos sete anos; e as messes, reduzidas a feixes, foram reunidas nos celeiros do Egito.

48 Também toda a abundância dos frutos foi armazenada em cada uma das cidades.

49 E foi tão grande a abundância de trigo, que se igualava à areia do mar, e a fartura excedia toda medida.

50 Nasceram a José dois filhos antes que viesse a fome, os quais lhe deu Asenet, filha de Putífar, sacerdote de Heliópolis.

51 E chamou o nome do primogênito Manassés, dizendo: «Deus fez-me esquecer de todos os meus trabalhos e da casa de meu pai.»

52 Também ao segundo chamou pelo nome de Efraim, dizendo: «Deus fez-me crescer na terra da minha pobreza.»

53 Passados, pois, os sete anos de fartura que houve no Egito,

54 começaram a vir os sete anos de escassez que José predissera; e por todo o orbe prevaleceu a fome, mas em toda a terra do Egito havia pão.

55 E, padecendo ela fome, o povo clamou ao faraó, pedindo alimentos. A eles respondeu ele: «Ide a José, e fazei tudo o que ele vos disser.»

56 Crescia, porém, a cada dia a fome em toda a terra; e José abriu todos os celeiros e vendia aos egípcios, pois também a eles oprimira a fome.

57 E todas as províncias vinham ao Egito para comprar mantimentos e mitigar o mal da escassez.

Gênesis 42

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🎧 Ouvir (Gênesis 42)

1 Jacó, ouvindo que se vendiam alimentos no Egito, disse a seus filhos: «Por que estais sem agir?»

2 «Ouvi que se vende trigo no Egito. Descei e comprai para nós o necessário, para que possamos viver e não pereçamos pela falta.»

3 Desceram, pois, os dez irmãos de José para comprar trigo no Egito,

4 enquanto Benjamim foi retido em casa por Jacó, que dissera a seus irmãos: «Para que não venha a sofrer algum mal no caminho.»

5 Entraram na terra do Egito com outros que iam comprar; pois havia fome na terra de Canaã.

6 José era o governador na terra do Egito, e por sua ordem se vendia o trigo aos povos. E, tendo seus irmãos se prostrado diante dele,

7 reconhecendo-os, falava-lhes com dureza, como a estranhos, perguntando-lhes: «De onde viestes?» Eles responderam: «Da terra de Canaã, para comprar o necessário ao sustento.»

8 E, embora ele reconhecesse os irmãos, não foi reconhecido por eles.

9 E, lembrando-se dos sonhos que outrora tivera, disse-lhes: «Sois espiões! Viestes para observar os pontos mais frágeis da terra.»

10 Eles disseram: «Não é assim, senhor; mas teus servos vieram para comprar alimentos.

11 Todos somos filhos de um só homem; viemos em paz, e teus servos não tramam mal algum.»

12 Ele lhes respondeu: «Não é assim; viestes para examinar os pontos desguarnecidos desta terra.»

13 Mas eles disseram: «Teus servos somos doze irmãos, filhos de um só homem na terra de Canaã; o mais novo está com nosso pai, e o outro já não existe.»

14 Ele disse: «É justamente o que eu dizia: sois espiões.

15 Agora mesmo vos porei à prova: pela saúde do Faraó, não saireis daqui até que venha vosso irmão mais novo.

16 Enviai um de vós para trazê-lo; vós, porém, ficareis presos, até que se comprove se é verdadeiro ou falso o que dissestes; do contrário, pela saúde do Faraó, sois espiões.»

17 Entregou-os, então, à guarda por três dias.

18 No terceiro dia, tirando-os do cárcere, disse: «Fazei o que vos disse, e vivereis; pois eu temo a Deus.

19 Se sois homens de paz, fique um de vossos irmãos preso no cárcere; vós, porém, parti e levai para vossas casas o trigo que comprastes,

20 e trazei-me vosso irmão mais novo, para que eu possa comprovar vossas palavras e não morrais.» Fizeram como ele dissera,

21 e disseram uns aos outros: «Com razão sofremos isto, pois pecamos contra nosso irmão, vendo a angústia de sua alma quando nos suplicava, e não o ouvimos; por isso veio sobre nós esta tribulação.»

22 Um deles, Rúben, disse: «Não vos disse eu: Não pequeis contra o menino? E não me ouvistes? Eis que o seu sangue é reclamado.»

23 Eles, porém, não sabiam que José os entendia, porque lhes falava por meio de um intérprete.

24 E afastou-se deles por um momento e chorou; depois, voltando, falou-lhes.

25 Tomando Simeão e amarrando-o na presença deles, ordenou aos servos que enchessem de trigo os seus sacos e repusessem o dinheiro de cada um nos seus sacos, dando-lhes além disso provisões para o caminho; e eles assim fizeram.

26 E eles, carregando o trigo sobre os seus jumentos, partiram.

27 E, abrindo um deles o saco para dar forragem ao animal na hospedaria, viu o dinheiro na boca do saco,

28 e disse a seus irmãos: «Foi-me devolvido o dinheiro; ei-lo aqui no saco.» E, atônitos e perturbados, disseram uns aos outros: «Que é isto que Deus nos fez?»

29 Chegaram a Jacó, seu pai, na terra de Canaã, e contaram-lhe tudo o que lhes havia acontecido, dizendo:

30 «O senhor daquela terra falou-nos com dureza e julgou-nos espiões da região.

31 Respondemos-lhe: Somos homens de paz e não tramamos cilada alguma.

32 Somos doze irmãos, gerados de um só pai; um já não existe, o mais novo está com nosso pai na terra de Canaã.

33 Ele nos disse: Assim provarei se sois homens de paz: deixai comigo um de vossos irmãos, tomai as provisões necessárias para vossas casas e parti,

34 e trazei-me vosso irmão mais novo, para que eu saiba que não sois espiões; então podereis reaver este que está retido em cadeias, e dali em diante tereis licença para comprar o que quiserdes.»

35 Dito isto, ao despejarem o trigo, cada um encontrou na boca de seu saco o dinheiro atado; e, ficando todos juntamente apavorados,

36 disse o pai Jacó: «Sem filhos me deixastes: José já não existe, Simeão está preso em cadeias, e a Benjamim levareis; sobre mim recaíram todos estes males.»

37 Rúben respondeu-lhe: «Mata os meus dois filhos, se eu não to trouxer de volta; entrega-o em minha mão, e eu to restituirei.»

38 Mas ele disse: «Não descerá meu filho convosco; seu irmão morreu e só ele restou; se lhe acontecer algum mal na terra para onde ides, fareis descer minhas cãs com dor à morada dos mortos.»

Gênesis 43

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🎧 Ouvir (Gênesis 43)

1 Entretanto, a fome oprimia duramente toda a terra.

2 Consumidos os alimentos que haviam trazido do Egito, Jacó disse a seus filhos: «Voltai e comprai-nos um pouco de mantimento.»

3 Respondeu Judá: «Aquele homem nos advertiu sob juramento, dizendo: ‹Não vereis o meu rosto, se não trouxerdes convosco o vosso irmão mais novo.›

4 Se, pois, quiseres enviá-lo conosco, iremos juntos e compraremos para ti o necessário;

5 mas, se não quiseres, não iremos; porque aquele homem, como muitas vezes dissemos, nos advertiu, dizendo: ‹Não vereis o meu rosto sem o vosso irmão mais novo.›»

6 Disse-lhes Israel: «Fizestes isto para minha desgraça, ao revelar-lhe que tínheis ainda outro irmão.»

7 Mas eles responderam: «Aquele homem nos interrogou por ordem acerca da nossa parentela: se nosso pai vivia, se tínhamos algum irmão; e nós lhe respondemos conforme aquilo que ele perguntava. Acaso podíamos saber que ele diria: ‹Trazei convosco o vosso irmão›?»

8 Judá disse também a seu pai: «Envia o menino comigo, para que partamos e possamos viver, para que não morramos nós e os nossos pequeninos.

9 Eu respondo pelo menino; da minha mão o reclamarás. Se eu não to trouxer de volta e não to restituir, serei réu de pecado contra ti para sempre.

10 Se não tivesse havido demora, já teríamos voltado pela segunda vez.»

11 Então Israel, seu pai, disse-lhes: «Se assim é necessário, fazei o que quereis. Tomai nos vossos vasos dos melhores frutos da terra e levai ao homem presentes: um pouco de resina, de mel, de estoraque, de mirra, de terebinto e de amêndoas.

12 Levai convosco também o dobro do dinheiro e tornai a levar aquele que encontrastes nos vossos sacos, para que não tenha acontecido por engano.

13 Tomai também o vosso irmão e ide ao homem.

14 E que o meu Deus onipotente vo-lo torne favorável e vos devolva o vosso irmão que retém, e este Benjamim; quanto a mim, ficarei como que privado dos filhos.»

15 Tomaram, pois, os homens os presentes, o dobro do dinheiro e Benjamim; e desceram ao Egito e apresentaram-se diante de José.

16 Quando ele os viu, e com eles Benjamim, ordenou ao despenseiro de sua casa, dizendo: «Faze entrar os homens em casa, mata reses e prepara um banquete, porque comerão comigo ao meio-dia.»

17 Ele fez o que lhe fora ordenado e introduziu os homens em casa.

18 E ali, aterrorizados, diziam uns aos outros: «Por causa do dinheiro que da primeira vez tornamos a levar em nossos sacos, fomos introduzidos, para lançar sobre nós uma calúnia e, à força, reduzir à servidão a nós e aos nossos jumentos.»

19 Por isso, aproximando-se do despenseiro da casa, junto à porta,

20 falaram: «Rogamos-te, senhor, que nos ouças. Já antes descemos para comprar mantimentos;

21 e, depois de comprados, quando chegamos à hospedaria, abrimos os nossos sacos e encontramos o dinheiro na boca dos sacos, o qual agora tornamos a trazer no mesmo peso.

22 Mas trouxemos também outro dinheiro, para comprar o que nos é necessário; não está em nossa consciência quem o pôs nas nossas bolsas.»

23 Mas ele respondeu: «A paz esteja convosco, não temais. O vosso Deus, e o Deus do vosso pai, vos deu tesouros nos vossos sacos; pois o dinheiro que me destes, eu o tenho por comprovado.» E trouxe-lhes Simeão.

24 E, introduzidos em casa, trouxe água, e lavaram os pés, e deu forragem aos seus jumentos.

25 Eles, porém, preparavam os presentes, até que José entrasse ao meio-dia; pois tinham ouvido que ali comeriam o pão.

26 Então José entrou em sua casa, e ofereceram-lhe os presentes, tendo-os em suas mãos; e, prostrados, adoraram-no por terra.

27 Mas ele, retribuindo-lhes benignamente a saudação, interrogou-os, dizendo: «Está bem o vosso pai idoso, de quem me havíeis falado? Ainda vive?»

28 Eles responderam: «Está bem o teu servo, nosso pai; ainda vive.» E, inclinando-se, adoraram-no.

29 Levantando os olhos, José viu Benjamim, seu irmão de mãe, e disse: «Este é o vosso irmão mais novo, de quem me havíeis falado?» E de novo disse: «Deus tenha misericórdia de ti, meu filho.»

30 E apressou-se, porque as suas entranhas se haviam comovido sobre o irmão, e as lágrimas irrompiam; e, entrando no quarto, chorou.

31 E, depois de lavar o rosto, saindo de novo, conteve-se e disse: «Servi os pães.»

32 Postos estes, à parte para José, à parte para os irmãos, e à parte também para os egípcios que comiam juntamente (pois é ilícito aos egípcios comer com os hebreus, e têm por profano um banquete deste gênero),

33 sentaram-se diante dele, o primogênito segundo a sua primogenitura, e o mais novo segundo a sua idade. E admiravam-se sobremaneira,

34 tomadas as porções que dele haviam recebido; e a maior porção coube a Benjamim, de modo que excedia em cinco partes. E beberam e embriagaram-se com ele.

🎧 Ouvir (Mateus 12)

1 Naquele tempo, Jesus passou por entre as searas num sábado; e os seus discípulos, tendo fome, começaram a colher espigas e a comer.

2 Os fariseus, ao verem isto, disseram-lhe: «Eis que os teus discípulos fazem o que não é lícito fazer aos sábados.»

3 Ele, porém, disse-lhes: «Não lestes o que fez David, quando teve fome, e os que estavam com ele:

4 como entrou na casa de Deus e comeu os pães da proposição, que não lhe era lícito comer, nem aos que estavam com ele, mas só aos sacerdotes?

5 Ou não lestes na Lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado e ficam sem culpa?

6 Mas digo-vos que aqui está quem é maior do que o templo.

7 Se, porém, soubésseis o que significa: «Misericórdia quero, e não sacrifício», nunca teríeis condenado os inocentes;

8 pois o Filho do homem é senhor também do sábado.»

9 E, tendo partido dali, veio à sinagoga deles.

10 E eis que havia ali um homem com a mão ressequida; e perguntavam-lhe, dizendo: «É lícito curar aos sábados?», para o acusarem.

11 Mas ele disse-lhes: «Qual de vós, tendo uma só ovelha, se esta cair num poço ao sábado, não a agarrará e levantará?

12 Quanto mais vale um homem do que uma ovelha! Por isso é lícito fazer o bem aos sábados.»

13 Então disse ao homem: «Estende a tua mão.» E ele estendeu-a, e ficou sã como a outra.

14 Os fariseus, saindo, conspiravam contra ele sobre como o haviam de matar.

15 Jesus, porém, sabendo-o, retirou-se dali; e muitos o seguiram, e curou-os a todos;

16 e ordenou-lhes que não o tornassem manifesto.

17 Para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías, dizendo:

18 «Eis o meu servo, que escolhi, o meu amado, em quem a minha alma se comprouve. Porei sobre ele o meu espírito, e ele anunciará o juízo às nações.

19 Não contenderá, nem gritará, nem ninguém ouvirá a sua voz nas praças.

20 A cana quebrada não a partirá, e o pavio fumegante não o apagará, até que faça triunfar o juízo;

21 e no seu nome esperarão as nações.»

22 Então foi-lhe apresentado um homem possesso de demónio, cego e mudo; e curou-o, de modo que falava e via.

23 E todas as multidões ficavam pasmadas, e diziam: «Não será este o filho de David?»

24 Mas os fariseus, ao ouvirem isto, disseram: «Este não expulsa os demónios senão por Belzebu, príncipe dos demónios.»

25 Mas Jesus, conhecendo os pensamentos deles, disse-lhes: «Todo o reino dividido contra si mesmo será destruído; e toda a cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá.

26 E, se Satanás expulsa Satanás, está dividido contra si mesmo: como, então, subsistirá o seu reino?

27 E, se eu expulso os demónios por Belzebu, os vossos filhos por quem os expulsam? Por isso eles próprios serão os vossos juízes.

28 Mas, se eu expulso os demónios pelo Espírito de Deus, então chegou a vós o reino de Deus.

29 Ou como pode alguém entrar na casa do forte e roubar os seus bens, se primeiro não amarrar o forte? Só então saqueará a sua casa.

30 Quem não está comigo, está contra mim; e quem não recolhe comigo, dispersa.

31 Por isso vos digo: todo o pecado e blasfémia serão perdoados aos homens, mas a blasfémia contra o Espírito não será perdoada.

32 E quem quer que disser uma palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado; mas quem disser contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo nem no futuro.

33 Ou fazei boa a árvore, e bom o seu fruto; ou fazei má a árvore, e mau o seu fruto: pois pelo fruto se conhece a árvore.

34 Raça de víboras, como podeis falar coisas boas, sendo maus? Pois da abundância do coração fala a boca.

35 O homem bom, do bom tesouro, tira coisas boas; e o homem mau, do mau tesouro, tira coisas más.

36 Digo-vos, porém, que de toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo.

37 Pois pelas tuas palavras serás justificado, e pelas tuas palavras serás condenado.»

38 Então responderam-lhe alguns dos escribas e fariseus, dizendo: «Mestre, queremos ver de ti um sinal.»

39 Ele, respondendo, disse-lhes: «Uma geração má e adúltera busca um sinal; mas não lhe será dado sinal, senão o sinal do profeta Jonas.

40 Pois, assim como Jonas esteve no ventre do grande peixe três dias e três noites, assim estará o Filho do homem no coração da terra três dias e três noites.

41 Os homens de Nínive se levantarão no juízo com esta geração e a condenarão, porque fizeram penitência à pregação de Jonas; e eis aqui quem é maior do que Jonas.

42 A rainha do sul se levantará no juízo com esta geração e a condenará, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão; e eis aqui quem é maior do que Salomão.

43 Quando, porém, o espírito imundo sai de um homem, anda por lugares áridos, buscando repouso, e não o encontra.

44 Então diz: «Voltarei para a minha casa, de onde saí.» E, chegando, encontra-a desocupada, varrida e adornada.

45 Então vai e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele, e, entrando, habitam ali; e o último estado daquele homem torna-se pior do que o primeiro. Assim será também com esta geração péssima.»

46 Estando ele ainda a falar às multidões, eis que a sua mãe e os seus irmãos estavam fora, querendo falar-lhe.

47 E alguém lhe disse: «Eis que a tua mãe e os teus irmãos estão fora, procurando-te.»

48 Mas ele, respondendo a quem lho dizia, disse: «Quem é a minha mãe, e quem são os meus irmãos?»

49 E, estendendo a mão para os seus discípulos, disse: «Eis a minha mãe e os meus irmãos.

50 Pois todo aquele que fizer a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, e irmã, e mãe.»

📚 Tradução Flamma Cordis (português moderno), a partir da Vulgata Clementina (domínio público). Áudio em voz natural. Leitura/estudo — sem imprimatur. Para o texto em latim, inglês, espanhol ou português literal, use todos os livros.