📖 Bíblia em 1 Ano
Eclesiastes 2
comparar versões →1 Disse comigo mesmo no meu coração: «Vamos, vou cercar-me de prazeres e gozar das coisas boas.» E vi que também isto era vaidade.
2 Tive o riso por engano e disse à alegria: «De que serve enganar-te em vão?»
3 Resolvi no meu coração privar a minha carne do vinho, para voltar a minha alma à sabedoria e fugir da insensatez, até ver o que fosse útil aos filhos dos homens, e aquilo que devem fazer debaixo do sol durante os dias contados da sua vida.
4 Empreendi grandes obras: edifiquei para mim casas e plantei vinhas;
5 fiz jardins e pomares, e plantei neles árvores de toda a espécie;
6 construí para mim tanques de água, para regar com eles o bosque das árvores que iam brotando.
7 Adquiri servos e servas e tive numerosa criadagem; possuí também manadas de gado e grandes rebanhos de ovelhas, mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém;
8 amontoei para mim prata e ouro, e as riquezas dos reis e das províncias; consegui para mim cantores e cantoras, e as delícias dos filhos dos homens, taças e jarros para servir o vinho;
9 e ultrapassei em riquezas todos os que houve antes de mim em Jerusalém; e a minha sabedoria permaneceu comigo.
10 Não neguei aos meus olhos nada do que desejaram, nem privei o meu coração de gozar todo prazer e de deleitar-se com aquilo que eu preparara; e considerei como minha porção desfrutar do meu próprio trabalho.
11 Quando, porém, me voltei para todas as obras que as minhas mãos haviam feito, e para os trabalhos em que em vão me afadigara, vi em tudo vaidade e aflição de espírito, e que nada permanece debaixo do sol.
12 Passei a contemplar a sabedoria, os erros e a insensatez. (Pois que é o homem, disse eu, para poder seguir o rei, seu criador?)
13 E vi que a sabedoria leva tanta vantagem sobre a insensatez quanto difere a luz das trevas.
14 Os olhos do sábio estão na sua cabeça; o insensato anda nas trevas. E aprendi que o mesmo fim alcança a ambos.
15 Então disse no meu coração: «Se o mesmo fim do insensato me há de tocar, de que me serve ter-me dedicado mais à sabedoria?» E, falando comigo mesmo, percebi que também isto era vaidade.
16 Pois não haverá para sempre memória do sábio mais do que do insensato, e os tempos futuros cobrirão tudo igualmente com o esquecimento: morre o sábio do mesmo modo que o ignorante.
17 Por isso enfastiou-me a minha vida, ao ver que todas as coisas debaixo do sol são más, e tudo vaidade e aflição de espírito.
18 Detestei de novo todo o meu esforço, com que tão afanosamente trabalhei debaixo do sol, tendo de deixar um herdeiro depois de mim,
19 do qual não sei se será sábio ou insensato, e que dominará sobre os meus trabalhos, com que me afadiguei e me preocupei. E há algo tão vão como isto?
20 Por isso desisti, e o meu coração renunciou a continuar trabalhando debaixo do sol.
21 Pois, embora um homem trabalhe com sabedoria, ciência e cuidado, deixa o que adquiriu a quem nada fez. Também isto, portanto, é vaidade e grande mal.
22 De fato, que aproveitará ao homem de todo o seu trabalho e aflição de espírito, com que se atormentou debaixo do sol?
23 Todos os seus dias estão cheios de dores e fadigas, e nem de noite descansa o seu espírito. E não é isto, porventura, vaidade?
24 Não é melhor comer e beber e mostrar à sua alma os bens dos seus trabalhos? E isto vem da mão de Deus.
25 Pois quem comerá e gozará de prazeres tanto como eu?
26 Ao homem que é bom aos seus olhos deu Deus sabedoria, ciência e alegria; ao pecador, porém, deu a aflição e a inútil preocupação de ajuntar e acumular, para o dar a quem foi agradável a Deus. Mas também isto é vaidade e vã inquietação do espírito.
Eclesiastes 3
comparar versões →1 Tudo tem o seu tempo, e todas as coisas debaixo do céu passam no seu devido momento.
2 Tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que foi plantado.
3 Tempo de matar e tempo de curar; tempo de destruir e tempo de edificar.
4 Tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de dançar.
5 Tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las; tempo de abraçar e tempo de afastar-se dos abraços.
6 Tempo de adquirir e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de lançar fora.
7 Tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de calar e tempo de falar.
8 Tempo de amor e tempo de ódio; tempo de guerra e tempo de paz.
9 Que proveito a mais tem o homem do seu trabalho?
10 Vi a aflição que Deus deu aos filhos dos homens, para que nela se ocupem.
11 Todas as coisas fez boas no seu tempo, e entregou o mundo às suas disputas, de modo que o homem não consiga descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até o fim.
12 E conheci que não há coisa melhor do que alegrar-se e fazer o bem durante a sua vida;
13 pois todo homem que come e bebe, e desfruta do bem do seu trabalho, isto é dom de Deus.
14 Aprendi que todas as obras que Deus fez permanecem para sempre; nada lhes podemos acrescentar nem tirar, as quais Deus fez para que seja temido.
15 O que foi feito, esse mesmo permanece; as coisas que hão de vir já existiram, e Deus restaura o que passou.
16 Vi debaixo do sol, no lugar do juízo, a impiedade, e no lugar da justiça, a iniquidade;
17 e disse no meu coração: «Deus julgará o justo e o ímpio, e então haverá tempo para toda coisa.»
18 Disse no meu coração a respeito dos filhos dos homens, que Deus os provasse e lhes mostrasse que são semelhantes aos animais.
19 Por isso, um só é o fim do homem e dos animais, e igual é a condição de ambos. Como morre o homem, assim morrem também eles. Do mesmo modo respiram todos, e nada tem o homem mais que o animal: todas as coisas estão sujeitas à vaidade,
20 e todas as coisas se encaminham para um só lugar. Da terra foram feitas, e à terra igualmente voltam.
21 Quem sabe se o espírito dos filhos de Adão sobe para cima, e se o espírito dos animais desce para baixo?
22 E percebi que não há coisa melhor do que o homem alegrar-se no seu trabalho, e que esta é a sua porção. Pois quem o levará a conhecer as coisas que hão de vir depois dele?
Eclesiastes 4
comparar versões →1 Voltei-me para outras coisas e vi as opressões que se cometem debaixo do sol, e as lágrimas dos inocentes, sem que houvesse quem os consolasse; e não podiam resistir à violência deles, privados de qualquer auxílio.
2 E louvei mais os mortos do que os vivos;
3 e julguei mais feliz do que ambos aquele que ainda não nasceu, nem viu os males que se fazem debaixo do sol.
4 De novo contemplei todos os trabalhos dos homens e percebi que os seus esforços ficam expostos à inveja do próximo; também nisto, portanto, há vaidade e cuidado supérfluo.
5 O insensato cruza as mãos e devora a própria carne, dizendo:
6 «Melhor é um punhado com descanso do que ambas as mãos cheias com trabalho e aflição de espírito.»
7 Refletindo, descobri ainda outra vaidade debaixo do sol.
8 Há um homem só, e não tem um segundo, nem filho, nem irmão, e, contudo, não cessa de trabalhar, nem os seus olhos se saciam de riquezas; nem reflete, dizendo: «Para quem trabalho e privo a minha alma dos bens?» Também nisto há vaidade e péssima aflição.
9 É melhor, portanto, serem dois juntos do que um só, pois colhem o proveito da sua união.
10 Se um cair, será amparado pelo outro. Ai do que está só, porque, quando cair, não tem quem o levante.
11 E, se dois dormirem juntos, aquecer-se-ão mutuamente; um sozinho, como se aquecerá?
12 E, se alguém prevalecer contra um, dois lhe resistem; o cordão tríplice dificilmente se rompe.
13 Melhor é um jovem pobre e sábio do que um rei velho e insensato, que já não sabe prever o futuro.
14 Pois às vezes alguém sai do cárcere e das cadeias para reinar; e outro, nascido em meio à realeza, é consumido pela pobreza.
15 Vi todos os viventes que caminham debaixo do sol acompanharem o segundo jovem, que se levantará em seu lugar.
16 Infinito é o número de todo o povo que existiu antes dele, e os que vierem depois não se alegrarão com ele; também isto é vaidade e aflição de espírito.
17 Guarda o teu pé ao entrares na casa de Deus, e aproxima-te para ouvir. Pois muito melhor é a obediência do que as vítimas dos insensatos, que não sabem o mal que fazem.
Salmos 89
comparar versões →1 Oração de Moisés, homem de Deus. Senhor, tu te fizeste o nosso refúgio, de geração em geração.
2 Antes que os montes existissem ou se formassem a terra e o mundo, desde a eternidade e para a eternidade, tu és Deus.
3 Não rebaixes o homem à humilhação, tu que disseste: «Convertei-vos, filhos dos homens.»
4 Pois mil anos diante dos teus olhos são como o dia de ontem, que passou, e como uma vigília na noite,
5 que se tem por nada: assim serão os seus anos.
6 De manhã como a erva passe; de manhã floresça e passe; à tarde tombe, endureça e seque.
7 Pois desfalecemos na tua ira e na tua indignação fomos perturbados.
8 Puseste as nossas iniquidades diante de ti, a nossa vida à luz do teu rosto.
9 Pois todos os nossos dias se acabaram, e na tua ira desfalecemos. Os nossos anos passam como uma aranha medita;
10 os dias dos nossos anos são neles setenta anos. E se nos fortes chegam a oitenta anos, o que neles há de mais é fadiga e dor; pois sobrevém a brandura e seremos corrigidos.
11 Quem conhece o poder da tua ira, e por causa do temor de ti, a tua ira
12 enumerar? Faze assim conhecida a tua direita, e os instruídos de coração na sabedoria.
13 Volta-te, Senhor; até quando? E sê propício para com os teus servos.
14 Fomos saciados de manhã com a tua misericórdia, e exultamos e nos deleitamos em todos os nossos dias.
15 Alegramo-nos pelos dias em que nos humilhaste, pelos anos em que vimos males.
16 Olha para os teus servos e para as tuas obras, e dirige os seus filhos.
17 E esteja sobre nós o esplendor do Senhor, nosso Deus; e dirige sobre nós as obras das nossas mãos, e dirige a obra das nossas mãos.
2 Coríntios 5
comparar versões →1 Pois sabemos que, se a nossa casa terrestre desta habitação for destruída, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos humanas, eterna nos céus.
2 Pois também nisto gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação que vem do céu,
3 contanto que, ao sermos revestidos, não sejamos achados nus.
4 Pois também nós, que estamos neste tabernáculo, gememos sobrecarregados, porque não queremos ser despojados, mas revestidos, para que o que é mortal seja absorvido pela vida.
5 Ora, aquele que nos prepara para isto mesmo é Deus, que nos deu o penhor do Espírito.
6 Por isso, sempre confiantes, sabendo que, enquanto estamos no corpo, peregrinamos longe do Senhor
7 — pois caminhamos pela fé, e não pela visão —,
8 temos confiança e preferimos peregrinar para longe do corpo e estar presentes junto ao Senhor.
9 E por isso nos esforçamos, quer ausentes, quer presentes, por lhe agradar.
10 Pois todos nós devemos comparecer diante do tribunal de Cristo, para que cada um receba conforme o que fez por meio do corpo, seja o bem, seja o mal.
11 Conhecendo, pois, o temor do Senhor, persuadimos os homens; mas a Deus somos manifestos. E espero que também sejamos manifestos nas vossas consciências.
12 Não nos recomendamos de novo a vós, mas damos-vos ocasião de vos gloriardes por nós, para que tenhais com que responder aos que se gloriam na aparência e não no coração.
13 Pois, se ficamos fora de nós, é para Deus; se estamos sóbrios, é para vós.
14 Porque a caridade de Cristo nos constrange, ao julgarmos isto: que, se um morreu por todos, então todos morreram;
15 e Cristo morreu por todos, para que os que vivem já não vivam para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.
16 Por isso, daqui em diante, a ninguém conhecemos segundo a carne. E, se conhecemos Cristo segundo a carne, agora já não o conhecemos assim.
17 Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criatura: as coisas velhas passaram; eis que tudo se fez novo.
18 E tudo isto vem de Deus, que nos reconciliou consigo por Cristo e nos confiou o ministério da reconciliação;
19 porque, de fato, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nós a palavra da reconciliação.
20 Em nome de Cristo, pois, exercemos a embaixada, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Suplicamos em nome de Cristo: «reconciliai-vos com Deus».
21 Àquele que não conhecera pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nós nos tornássemos justiça de Deus nele.
📚 Tradução Flamma Cordis (português moderno), a partir da Vulgata Clementina (domínio público). Áudio em voz natural. Leitura/estudo — sem imprimatur. Para o texto em latim, inglês, espanhol ou português literal, use todos os livros.