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Os Outros Sacramentos

Unção dos Enfermos, Ordem e Matrimônio; e como se dividem os sete sacramentos

Equipe Flamma Cordis · imagem criada por IA

Os Outros Sacramentos

Unção dos Enfermos, Ordem e Matrimônio; e como se dividem os sete sacramentos

«Tudo o que ligardes na terra será ligado no céu.»
— Mateus 18,18

Antes de começar

Conclui-se, agora, o percurso pelos sacramentos abraçando, num só artigo, os três que ainda não foram estudados — a Unção dos Enfermos, a Ordem e o Matrimônio — e, sobretudo, compreendendo como os sete sacramentos se organizam em três grandes grupos. É a visão de conjunto de toda a vida sacramental da Igreja.

Estas linhas percorrem o tema por inteiro. Primeiro, a divisão dos sacramentos — iniciação, cura e serviço da comunhão — e a lógica dessa divisão. Depois, a Unção dos Enfermos: o que é, quem a recebe, os seus efeitos, a sua história e o Viático. Em seguida, o Sacramento da Ordem: os três graus (bispo, presbítero, diácono), o sinal, o duplo sacerdócio (comum e ministerial), a sucessão apostólica e o celibato. E, enfim, o Matrimônio: aliança instituída por Deus e elevada por Cristo, com os seus ministros (os próprios esposos), as suas propriedades e os seus três bens clássicos.

I. Os sete sacramentos e a sua divisão

Cristo instituiu sete sacramentos, que tocam todas as etapas e momentos importantes da vida do cristão: dão nascimento e crescimento, cura e missão à vida de fé (cf. CIC 1210). Eles não são sete realidades soltas, mas formam um organismo, em que cada um tem o seu lugar. A Igreja os agrupa em três conjuntos (cf. CIC 1211).

Os sacramentos da Iniciação cristã — Batismo, Confirmação (Crisma) e Eucaristia. Lançam os fundamentos da vida cristã: fazem nascer, fortalecem e alimentam. Por eles o cristão é gerado, selado pelo Espírito e nutrido com o Pão da vida — tornando-se plenamente membro da Igreja.

Os sacramentos da Cura — Penitência (Confissão) e Unção dos Enfermos. Chamam-se também «sacramentos de cura» ou «penitenciais», porque, assim como Cristo veio curar a alma e o corpo, por eles Ele continua a obra de cura: a Penitência cura a alma ferida pelo pecado; a Unção, a pessoa provada pela doença e pela fragilidade.

Os sacramentos do Serviço da comunhão (e da missão) — Ordem e Matrimônio. São ordenados à salvação dos outros: quem os recebe é consagrado para servir — edificando o Povo de Deus (a Ordem) ou formando a «igreja doméstica», a família (o Matrimônio). Dão, além da graça pessoal, uma missão específica em favor da comunidade.

Essa divisão ajuda a compreender toda a economia sacramental: os três primeiros iniciam na vida divina; os dois seguintes a restauram e fortalecem quando ferida pelo pecado ou pela doença; e os dois últimos põem o cristão a serviço da salvação dos outros. Em todos, é o mesmo Cristo que age pelo seu Espírito, comunicando a graça por sinais sensíveis.

O que faz um sacramento

Convém recordar, antes de entrar em cada um, o que todo sacramento tem em comum. Um sacramento é um sinal sensível e eficaz da graça, instituído por Cristo e confiado à Igreja, pelo qual a vida divina é comunicada. Em cada um distinguem-se a matéria (o elemento ou gesto: a água, o óleo, a imposição das mãos, o consentimento dos noivos), a forma (as palavras que determinam o sentido do gesto) e o ministro (quem o celebra). Os sacramentos agem «ex opere operato», isto é, pela própria força da ação de Cristo, e não pela santidade do ministro — embora os seus frutos dependam também da disposição de quem os recebe. Três deles — Batismo, Confirmação e Ordem — imprimem um caráter indelével e por isso não se repetem.

Sacramentos e sacramentais

Não se confundam os sete sacramentos com os sacramentais (bênçãos, a água benta, o Rosário, as medalhas, as procissões, o sinal da cruz). Os sacramentais são sinais sagrados instituídos pela Igreja que preparam para receber a graça e santificam diversas circunstâncias da vida, mas não conferem a graça por si mesmos como os sacramentos, que foram instituídos pelo próprio Cristo. Os sacramentais dispõem; os sacramentos dão.

II. A Unção dos Enfermos

A Unção dos Enfermos é o sacramento pelo qual a Igreja conforta e fortalece os que sofrem gravemente pela doença ou pela velhice, unindo-os à Paixão de Cristo. Durante séculos chamou-se «Extrema-Unção», por ser dada perto da morte; mas esse nome gerou o equívoco de que seria «só para quem está morrendo». A Igreja esclareceu: não é o sacramento dos que estão para morrer, mas o dos enfermos — e pode (e deve) ser recebida sempre que um fiel começa a estar em perigo por doença grave ou por idade avançada, e repetida se a doença se agrava ou retorna.

A instituição

O seu fundamento está no Evangelho — os Apóstolos «ungiam com óleo muitos enfermos e os curavam» (Mc 6,13) — e, de modo explícito, na Carta de São Tiago: «Está alguém de vós doente? Chame os presbíteros da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o restabelecerá; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados» (Tg 5,14-15). Daí se tira tudo: o rito (unção com óleo e oração), o ministro (os presbíteros) e os efeitos.

Os efeitos

A Unção concede: a graça do Espírito Santo para enfrentar a doença com paz, coragem e confiança, vencendo o desânimo e a tentação; a união à Paixão de Cristo, dando sentido redentor ao sofrimento oferecido com Ele; o perdão dos pecados (se o doente não pôde confessar-se); por vezes, a saúde do corpo, se convém à salvação da alma; e a preparação para a passagem à vida eterna. O ministro é o sacerdote (ou o bispo), que unge a fronte e as mãos do enfermo com o Óleo dos Enfermos, dizendo: «Por esta santa unção e pela sua infinita misericórdia, o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito Santo...»

Um pouco de história e o nome

A unção dos doentes é praticada na Igreja desde os tempos apostólicos, como atesta São Tiago, e os Padres e os antigos rituais a testemunham ao longo dos séculos. Com o tempo, porém, passou-se a adiá-la para a hora da morte, e consolidou-se o nome «Extrema-Unção» (a «última unção»). O Concílio Vaticano II corrigiu essa deformação: devolveu ao sacramento o seu nome próprio — Unção dos Enfermos — e o seu sentido autêntico, o de amparar o doente em toda a sua provação, e não apenas no último instante (cf. Sacrosanctum Concilium, 73).

Quem a recebe, e quando

Pode recebê-la todo fiel que, tendo chegado ao uso da razão, começa a estar em perigo por doença grave ou pela idade avançada; convém recebê-la também antes de uma cirurgia séria, e ela pode ser repetida se a doença se agrava ou se, depois de uma recuperação, o doente torna a adoecer gravemente. É muito recomendável recebê-la ainda lúcido, para unir conscientemente o próprio sofrimento ao de Cristo. Celebrada em comunidade — na família, no hospital, numa Missa dos enfermos —, manifesta também que toda a Igreja acompanha e sustenta os que sofrem, e não os deixa sós.

O Viático

Junto à Unção, a Igreja oferece ao que se aproxima do fim a Eucaristia como Viático («alimento para o caminho») — a última comunhão, penhor da ressurreição: «Quem come a minha carne tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia» (Jo 6,54). Confissão, Unção e Viático são os sacramentos que preparam para a Pátria.

III. O Sacramento da Ordem

A Ordem é o sacramento pelo qual a missão confiada por Cristo aos Apóstolos continua a ser exercida na Igreja até o fim dos tempos. Por ele, alguns fiéis são constituídos ministros sagrados, consagrados para servir o Povo de Deus em nome e na pessoa de Cristo Cabeça (in persona Christi Capitis). Não é uma simples «profissão religiosa», mas uma configuração a Cristo Sacerdote.

Os três graus

O sacramento da Ordem comporta três graus, conferidos pela imposição das mãos do bispo e pela oração consecratória.

O Episcopado — a plenitude do sacerdócio. O bispo é sucessor dos Apóstolos; preside a Igreja local, ensina, santifica e governa, e, unido ao Papa e ao colégio dos bispos, é responsável por toda a Igreja. Só o bispo pode ordenar e, de ordinário, confirmar.

O Presbiterado — os presbíteros (padres) são colaboradores dos bispos; configurados a Cristo Sacerdote, celebram a Eucaristia, perdoam os pecados, ungem os enfermos, pregam e conduzem as comunidades. Agem sempre em comunhão com o seu bispo.

O Diaconato — os diáconos são ordenados «não para o sacerdócio, mas para o serviço» (diakonia): assistem o bispo e os presbíteros na liturgia (podem batizar, proclamar o Evangelho e pregar, assistir ao matrimônio, presidir funerais) e dedicam-se de modo especial à caridade. Há o diaconato permanente (que pode ser conferido a homens casados).

O sinal do sacramento

A matéria do sacramento da Ordem é a imposição das mãos do bispo sobre a cabeça do ordenando — gesto bíblico, silencioso e solene —, e a forma é a oração consecratória própria de cada grau, que pede a Deus a efusão do Espírito Santo e dos seus dons. Esse gesto, repetido desde os Apóstolos, liga visivelmente cada ordenação à cadeia ininterrupta que remonta a Cristo.

Dois modos de participar do único sacerdócio de Cristo

É preciso distinguir, sem opor, o sacerdócio comum de todos os batizados — pelo qual todo cristão oferece a Deus a própria vida como culto espiritual (1Pd 2,9) — e o sacerdócio ministerial (ou hierárquico), próprio dos ordenados. Não diferem apenas em grau, mas em essência: o ministro não age por delegação da comunidade, mas in persona Christi Capitis, isto é, tornando presente o próprio Cristo Cabeça e Pastor, sobretudo na Eucaristia e na absolvição. O sacerdócio ministerial existe a serviço do sacerdócio comum, para que o Povo de Deus cresça.

A sucessão apostólica, o caráter e o celibato

A Ordem transmite-se, de modo ininterrupto, desde os Apóstolos: é a sucessão apostólica, garantia de que é o próprio Cristo quem continua a agir. Como o Batismo e a Confirmação, a Ordem imprime um caráter indelével: não se repete nem se perde. A Igreja ordena homens batizados (cf. CIC 1577); e, na Igreja latina, confere o episcopado e o presbiterado, de ordinário, a homens que abraçam o celibato «por amor do Reino dos céus» (Mt 19,12). Não é um dogma, mas uma disciplina veneranda, que configura o ministro a Cristo — Esposo virgem da Igreja — e o liberta para uma entrega indivisa a Deus e às almas (cf. 1Cor 7,32-35). Nas Igrejas orientais e no diaconato permanente, há também ministros casados.

IV. O Sacramento do Matrimônio

O Matrimônio é a aliança pela qual um homem e uma mulher constituem entre si uma comunidade de vida e de amor para toda a vida, ordenada ao bem dos cônjuges e à geração e educação dos filhos. Entre batizados, Cristo elevou essa aliança à dignidade de sacramento.

Instituído por Deus, elevado por Cristo

O matrimônio não é uma invenção humana nem mera convenção social: foi querido por Deus desde a criação («Deus os criou homem e mulher... por isso o homem deixará pai e mãe e os dois serão uma só carne», Gn 1,27; 2,24), e Jesus o restaurou na sua pureza original, reafirmando a sua indissolubilidade («o que Deus uniu, não o separe o homem», Mt 19,6) e elevando-o a sinal do seu amor pela Igreja: «este mistério é grande: refiro-me a Cristo e à Igreja» (Ef 5,32). O amor dos esposos torna-se imagem do amor de Cristo, que se entregou por nós.

Os ministros são os próprios esposos

Eis um ponto importante e muitas vezes ignorado: no Matrimônio, os ministros do sacramento são os próprios noivos, que se conferem mutuamente o sacramento ao manifestar o seu consentimento diante de Deus e da Igreja. O sacerdote (ou diácono) assiste como testemunha qualificada da Igreja e dá a bênção; mas são os esposos que «fazem» o sacramento. O consentimento livre — o «sim» — é, por isso, o elemento indispensável: sem ele, não há matrimônio.

Propriedades e fins

O matrimônio tem duas propriedades essenciais: a unidade (um só com uma só; exclusividade e fidelidade) e a indissolubilidade («até que a morte os separe»). E ordena-se a dois fins inseparáveis: o bem dos cônjuges (o amor mútuo, a ajuda, a santificação) e a abertura à vida (acolher e educar os filhos). O sacramento confere aos esposos a graça própria para amar-se com o amor de Cristo, ser fiéis, perdoar-se e educar cristãmente os filhos. A família nascida daí é a «igreja doméstica», primeira escola de fé e de amor.

Os três bens do matrimônio

Santo Agostinho resumiu numa fórmula clássica os três «bens» que tornam santo o matrimônio: a prole (bonum prolis: a abertura aos filhos e a sua educação), a fidelidade (bonum fidei: a lealdade exclusiva entre os esposos) e o sacramento (bonum sacramenti: o vínculo indissolúvel, sinal perene do amor de Cristo). Deles brota ainda o ensino da Igreja sobre a transmissão responsável da vida (cf. Humanae Vitae, de Paulo VI, 1968): o amor conjugal é, por natureza, aberto à vida, e os esposos cooperam com o amor criador de Deus.

O consentimento, os impedimentos e a nulidade

Por ser o consentimento que faz o matrimônio, ele deve ser livre, consciente e verdadeiro: quem casa sob coação grave, por engano sobre o essencial, excluindo desde o início os filhos, a fidelidade ou a perpetuidade, ou sem capacidade para assumir o compromisso, pode, de fato, não ter celebrado um verdadeiro matrimônio. É isto que a Igreja examina na chamada declaração de nulidade: ela não «desfaz» um casamento válido (o que seria impossível), mas reconhece que, por um defeito de origem, o vínculo nunca chegou a existir. A nulidade, portanto, não é um «divórcio católico»: a Igreja, fiel a Cristo, não pode dissolver um matrimônio sacramental válido e consumado.

A preparação e a vida conjugal

Por tudo isso, a Igreja pede aos noivos uma boa preparação (os cursos e encontros de noivos), o estado de graça para receber o sacramento, e cuida das famílias com acompanhamento e oração. O matrimônio é um caminho de santidade a dois: na fidelidade cotidiana, no perdão mútuo, na acolhida dos filhos e na oração em família, os esposos se santificam e tornam-se, um para o outro e para os filhos, sinal vivo do amor de Deus.

V. A Igreja, os Padres e os santos

A Igreja e os Concílios

A Igreja professa, desde sempre, a existência dos sete sacramentos, todos instituídos por Cristo. O Concílio de Florença (1439) e o Concílio de Trento definiram solenemente o seu número (sete, nem mais nem menos) e a sua instituição divina, contra as reduções protestantes, tratando expressamente da Unção, da Ordem e do Matrimônio como verdadeiros sacramentos. Trento reafirmou a indissolubilidade do matrimônio e a hierarquia divina da Ordem (bispos, presbíteros, diáconos).

O Concílio Vaticano II aprofundou cada um: Lumen Gentium (cap. III) e Presbyterorum Ordinis sobre a Ordem e a sucessão apostólica; Gaudium et Spes (nn. 47-52) sobre a dignidade do matrimônio e da família; e Sacrosanctum Concilium e Lumen Gentium, 11 sobre a Unção dos Enfermos, cujo rito foi renovado por Paulo VI (1972), que também restaurou o diaconato permanente. São João Paulo II dedicou à família a exortação Familiaris Consortio (1981).

Os Santos Padres

«Não se deve fazer nada na Igreja sem o bispo... onde aparece o bispo, ali esteja a comunidade, assim como onde está Cristo Jesus, ali está a Igreja católica.»
— Santo Inácio de Antioquia, Carta aos Esmirniotas
«De onde hei de tirar forças para descrever a felicidade do matrimônio que a Igreja une, confirma a oblação, sela a bênção, e os anjos proclamam?»
— Tertuliano, A Esposa
«O sacerdócio exerce-se na terra, mas pertence à ordem das coisas celestes; e com razão, pois não foi um homem, nem um anjo, mas o próprio Paráclito que instituiu este ministério.»
— São João Crisóstomo, Sobre o Sacerdócio

Para os Padres, o ministério ordenado e o matrimônio cristão não são realidades meramente humanas, mas dons de Deus para a edificação do seu povo.

Os santos

«O sacerdote não é sacerdote para si: não se dá a si mesmo a absolvição, não se administra a si os sacramentos. O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus.»
— São João Maria Vianney, padroeiro dos padres
«Cuidar de um doente é cuidar do próprio Cristo: estive enfermo e me visitastes.»
— espírito de São Camilo de Léllis e de Santa Teresa de Calcutá
«Procurai fazer da vossa casa uma pequena igreja: ali se aprende a rezar, a perdoar e a amar.»
— espírito dos santos esposos Luís e Zélia Martin

VI. O Catecismo e os documentos

Números-chave do Catecismo: CIC 1210-1211 — os sete sacramentos e a sua divisão em três grupos. CIC 1499-1532 — a Unção dos Enfermos: instituição, celebração, efeitos e o Viático. CIC 1533-1600 — o sacramento da Ordem: os três graus, a sucessão apostólica, o ministro e o celibato. CIC 1601-1666 — o Matrimônio: a aliança, o consentimento, as propriedades e a igreja doméstica.

VII. Questões que atravessam qualquer reflexão

A Unção dos Enfermos é a «extrema-unção», só para quem vai morrer?

Não. Esse nome antigo gerou o equívoco. A Unção é o sacramento dos enfermos — pode ser recebida sempre que alguém está em perigo por doença grave ou idade avançada, antes de uma cirurgia séria, e repetida se a doença piora ou volta. Não se deve esperar os últimos instantes: ao contrário, convém recebê-la com lucidez, para colher todos os seus frutos de graça, paz e, às vezes, até de recuperação.

Por que só homens podem ser ordenados?

A Igreja ensina que não tem autoridade para mudar isto, por fidelidade ao modo como o próprio Cristo constituiu o sacramento: escolheu apenas homens para o colégio apostólico, e os Apóstolos fizeram o mesmo. O sacerdote age «na pessoa de Cristo Cabeça», Esposo da Igreja. Não se trata de maior ou menor dignidade — a maior criatura, Maria, não foi sacerdote —, mas da natureza do sinal sacramental querido por Deus. Todos, homens e mulheres, são chamados à mesma santidade e ao sacerdócio comum dos batizados.

Quem casa os noivos: o padre ou eles mesmos?

Na tradição latina, os próprios noivos são os ministros do sacramento: eles se conferem mutuamente o Matrimônio ao trocar o consentimento. O padre (ou diácono) assiste como testemunha qualificada da Igreja e abençoa a união. Por isso o «sim» livre dos noivos é essencial: é ele que realiza o sacramento.

Por que o casamento católico não pode acabar?

Porque Cristo restaurou o matrimônio na sua verdade original e lhe deu força de sacramento: a união dos esposos é imagem do amor fiel e definitivo de Cristo pela Igreja, que nunca abandona. «O que Deus uniu, não o separe o homem» (Mt 19,6). A Igreja acompanha com caridade quem sofre a dor de uma separação, mas não pode mudar a palavra do Senhor sobre a indissolubilidade — que é, no fundo, uma boa-nova: o amor pode, pela graça, ser para sempre.

Ao fim do caminho

Chegando ao fim desta reflexão — e, com ela, do percurso inteiro pelos sete sacramentos —, uma visão de conjunto se destaca: a Igreja, por obra do seu Senhor, acompanha o cristão do berço ao túmulo com sinais eficazes da graça. Nasce-se para Deus no Batismo, cresce-se na Crisma, alimenta-se da Eucaristia, cura-se pela Confissão, suporta-se a doença pela Unção, consagra-se à comunidade pela Ordem ou pelo Matrimônio, e caminha-se, com o Viático, para a Pátria. Nada fica fora do abraço sacramental.

Isto é o que a Igreja oferece: não apenas doutrina, mas Cristo em pessoa, dado através de sinais que a razão humana vê e a fé interpreta. Quem percorre a vida sacramental com fé viva nunca anda sozinho — porque, em cada etapa, há um sacramento esperando para ser canal da graça. Resta ao batizado uma só tarefa: aproximar-se.

«Tudo o que ligardes na terra será ligado no céu.»
— Mateus 18,18

Referências

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada: Edição Pastoral. São Paulo: Paulus, 1990. Passagens citadas: Gn 1,27; 2,24; Mt 18,18; 19,3-12; Mc 6,13; Lc 22,19; Jo 6,54; 20,21-23; At 6,1-6; Ef 5,25-32; 1Pd 2,9; 1Tm 4,14; 2Tm 1,6; Tg 5,14-15.

IGREJA CATÓLICA. Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Loyola, 2000. Números citados: 1210-1211; 1499-1666.

CONCÍLIOS DE FLORENÇA (1439) e TRENTO (séc. XVI). Doutrina sobre os sete sacramentos; indissolubilidade do matrimônio; hierarquia da Ordem.

CONCÍLIO VATICANO II. Lumen Gentium (cap. III); Presbyterorum Ordinis; Gaudium et Spes, 47-52; Sacrosanctum Concilium, 73.

PAULO VI. Constituição Apostólica Sacram Unctionem Infirmorum (1972); Encíclica Humanae Vitae (1968).

JOÃO PAULO II, São. Exortação Apostólica Familiaris Consortio. Roma, 1981.

IGREJA CATÓLICA. Rituais da Unção dos Enfermos, da Ordenação e do Matrimônio; Código de Direito Canônico.

INÁCIO DE ANTIOQUIA, Santo. Carta aos Esmirniotas.

AMBRÓSIO, Santo. De Mysteriis.

TERTULIANO. A Esposa (Ad Uxorem).

AGOSTINHO, Santo. De Bono Coniugali (Os bens do matrimônio).

JOÃO CRISÓSTOMO, São. Sobre o Sacerdócio.

JOÃO MARIA VIANNEY, São. Catequeses sobre o sacerdócio.

CAMILO DE LÉLLIS, São; TERESA DE CALCUTÁ, Santa. Testemunhos no cuidado dos enfermos.

LUÍS e ZÉLIA MARTIN, Santos. Correspondência e testemunho de vida.

FRANCISCO DE ASSIS, São. Testamento (veneração aos sacerdotes).

por Equipe Flamma Cordis · 02/11/2026 às 15:18

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