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📖 Sabedoria

Capítulo 18

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1 Para os teus santos, porém, havia uma luz imensa; e ouviam de fato a voz deles, mas não viam o seu rosto. E, porque eles próprios não tinham sofrido as mesmas coisas, glorificavam-te;

2 e os que antes haviam sido feridos, porque agora não eram feridos, davam graças, e, para que houvesse diferença, pediam um favor.

3 Por isso tiveram uma coluna ardente de fogo como guia do caminho desconhecido, e lhes deste um sol que não fere, para um bom acolhimento.

4 Dignos eram, na verdade, aqueles de serem privados da luz e de padecer o cárcere das trevas, os que mantinham encerrados os teus filhos, por meio dos quais começava a ser dada ao mundo a incorruptível luz da lei.

5 Quando pensavam em matar os filhinhos dos justos, e um só filho foi exposto e salvo para os desmascarar, tiraste-lhes a multidão de seus filhos e juntamente os perdeste numa água impetuosa.

6 Pois aquela noite foi de antemão conhecida por nossos pais, para que, sabendo com certeza em que juramentos haviam confiado, tivessem maior ânimo.

7 Foi assim recebida pelo teu povo a salvação dos justos e o extermínio dos injustos.

8 Pois, assim como feriste os adversários, assim também a nós, convocando-nos, nos glorificaste.

9 Pois às escondidas sacrificavam os justos filhos dos bons, e em concórdia estabeleceram a lei da justiça, que igualmente os justos haveriam de receber os bens e os males, entoando já os louvores dos pais.

10 Mas ressoava, em desacordo, a voz dos inimigos, e ouvia-se o lamento choroso pelos meninos que eram pranteados.

11 Com semelhante castigo foi afligido o escravo junto com o senhor, e o homem do povo padeceu o mesmo que o rei.

12 Assim, pois, todos igualmente, por uma só espécie de morte, tinham mortos inumeráveis; e nem bastavam os vivos para sepultá-los, porque num só instante foi exterminada a mais nobre estirpe deles.

13 Pois, não acreditando em nada por causa dos sortilégios, então pela primeira vez, quando houve o extermínio dos primogênitos, reconheceram que aquele povo era de Deus.

14 Pois, enquanto um quieto silêncio envolvia todas as coisas, e a noite, em seu curso, percorria o meio do caminho,

15 a tua palavra onipotente, do céu, das sedes reais, qual duro guerreiro, lançou-se ao meio da terra de extermínio,

16 espada afiada que levava a tua ordem inflexível; e, postada de pé, encheu tudo de morte, e, estando na terra, tocava até o céu.

17 Então, de repente, visões de maus sonhos os perturbaram, e sobrevieram-lhes temores inesperados.

18 E um, lançado para um lado, outro para outro, semivivo, mostrava por que causa morria.

19 Pois as visões que os perturbaram preveniam estas coisas, para que não perecessem sem saber por que padeciam tais males.

20 Mas também os justos foram então tocados pela provação da morte, e houve no deserto uma agitação da multidão; a tua ira, porém, não durou muito.

21 Pois um homem sem repreensão apressou-se a interceder pelos povos, apresentando o escudo do seu ministério, a oração, e, alegando a súplica por meio do incenso, resistiu à ira e pôs fim à calamidade, mostrando que era teu servo.

22 E venceu as turbas não pela força do corpo, nem pelo poder das armas, mas com a palavra submeteu aquele que os afligia, lembrando os juramentos dos pais e a aliança.

23 Pois, quando já os mortos haviam caído amontoados uns sobre os outros, ele se interpôs, deteve o ímpeto e cortou o caminho que conduzia até os vivos.

24 Pois na veste talar que ele usava estava o mundo inteiro; e as grandezas dos pais estavam esculpidas nas quatro ordens de pedras, e a tua magnificência estava gravada no diadema da sua cabeça.

25 Diante destas coisas, cedeu aquele que exterminava, e diante delas temeu; pois bastava só a provação da ira.

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📚 Tradução Flamma Cordis (português moderno), a partir da Vulgata Clementina (domínio público), cotejada com fontes católicas. Leitura/estudo — sem imprimatur.