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📖 Sabedoria

Capítulo 12

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1 Como é bom e suave o teu espírito, Senhor, em todas as coisas!

2 Por isso corriges aos poucos os que se desviam, e os adverte e lhes falas acerca daquilo em que pecam, para que, abandonada a malícia, creiam em ti, Senhor.

3 Pois aqueles antigos habitantes da tua terra santa, que detestaste,

4 porque praticavam obras odiosas a ti, com feitiçarias e sacrifícios injustos,

5 matadores impiedosos dos próprios filhos, comedores das entranhas dos homens e devoradores de sangue no meio do teu sagrado culto,

6 e pais, autores de almas desamparadas, quiseste destruir pelas mãos dos nossos pais,

7 para que recebesse uma digna colônia de filhos de Deus a terra que, de todas, te é a mais cara.

8 Mas ainda a esses, como homens, poupaste, e enviaste vespas como precursoras do teu exército, para que aos poucos os exterminassem.

9 Não que fosses impotente para submeter na guerra os ímpios aos justos, ou às feras cruéis, ou para exterminá-los de uma só vez com uma palavra severa;

10 mas, julgando aos poucos, davas lugar ao arrependimento, não ignorando que sua nação era perversa, e natural a sua malícia, e que jamais poderia mudar o seu pensamento.

11 Pois era uma semente maldita desde o princípio; e não por temer a alguém davas perdão aos seus pecados.

12 Pois quem te dirá: «Que fizeste?» Ou quem se levantará contra o teu juízo? Ou quem virá diante de ti como vingador dos homens iníquos? Ou quem te culpará, se perecerem as nações que tu fizeste?

13 Pois não há outro Deus além de ti, que tens cuidado de todas as coisas, para mostrares que não julgas o juízo injustamente.

14 Nem rei nem tirano poderá interpelar-te diante de ti acerca daqueles que destruíste.

15 Sendo, pois, justo, dispões todas as coisas com justiça; e julgas alheio ao teu poder condenar aquele que não merece ser punido.

16 Pois o teu poder é o princípio da justiça, e, por seres Senhor de todos, te tornas clemente com todos.

17 Pois mostras o teu poder quando não se crê que sejas perfeito em poder, e refutas a audácia daqueles que te ignoram.

18 Tu, porém, senhor do poder, julgas com tranquilidade, e com grande reverência nos governas; pois te está à mão o poder, quando o quiseres.

19 Ensinaste ao teu povo, por tais obras, que é preciso ser justo e humano; e fizeste os teus filhos de boa esperança, porque, ao julgar, dás lugar ao arrependimento dos pecados.

20 Pois, se castigaste com tanta deliberação os inimigos dos teus servos, merecedores da morte, dando-lhes tempo e lugar para que pudessem mudar-se da malícia,

21 com quanto cuidado julgaste os teus próprios filhos, a cujos pais deste juramentos e alianças de boas promessas!

22 Portanto, ao mesmo tempo em que nos dás correção, açoitas de muitas maneiras os nossos inimigos, para que, julgando, pensemos na tua bondade, e, quando formos julgados, esperemos a tua misericórdia.

23 Por isso também àqueles que em sua vida viveram insensata e injustamente, deste tormentos extremos por meio daquilo mesmo que cultuaram.

24 Pois andaram por demasiado tempo extraviados no caminho do erro, tendo por deuses os mais desprezíveis dos animais, vivendo à maneira de crianças sem entendimento.

25 Por isso, como a crianças insensatas, lhes enviaste um juízo de escárnio.

26 Os que, porém, não se corrigiram com zombarias e repreensões, experimentaram o digno juízo de Deus.

27 Pois, vendo com indignação que padeciam por meio daquilo que tinham por deuses, ao serem exterminados por isso mesmo, reconheceram como verdadeiro Deus Aquele que outrora negavam conhecer; e por isso veio também sobre eles o fim da sua condenação.

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📚 Tradução Flamma Cordis (português moderno), a partir da Vulgata Clementina (domínio público), cotejada com fontes católicas. Leitura/estudo — sem imprimatur.