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📖 Ester

Capítulo 16

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1 O grande rei Artaxerxes, da Índia até a Etiópia, aos governadores e príncipes das cento e vinte e sete províncias que obedecem à nossa ordem, envia saudações.

2 Muitos abusaram, tornando-se soberbos, da bondade dos príncipes e da honra que sobre eles foi conferida:

3 e não só procuram oprimir os súditos dos reis, mas, não suportando a glória que lhes foi dada, tramam ciladas contra os próprios que a deram.

4 Não contentes em não agradecer os benefícios e em violar em si mesmos as leis da humanidade, julgam ainda poder escapar da sentença de Deus, que tudo vê.

5 E a tal ponto irromperam em loucura, que tentam derrubar, por mentirosas insídias, aqueles que cumprem diligentemente os encargos que lhes foram confiados e que tudo fazem de modo a serem dignos do louvor de todos,

6 enganando, com astuta fraude, os ouvidos sinceros dos príncipes, que avaliam os outros conforme a sua própria índole.

7 Isto se comprova tanto pelas antigas histórias como pelas coisas que diariamente acontecem: como os bons propósitos dos reis são pervertidos pelas más sugestões de alguns.

8 Por isso, é preciso prover à paz de todas as províncias.

9 E não deveis pensar que, se ordenamos coisas diversas, isto venha da leviandade do nosso ânimo, mas que damos a sentença segundo a qualidade e a necessidade dos tempos, conforme o exige a utilidade do Estado.

10 E, para que entendais mais claramente o que dizemos: Amã, filho de Amadati, macedônio de ânimo e de origem, alheio ao sangue dos persas e que mancha com sua crueldade a nossa piedade, foi por nós acolhido sendo estrangeiro;

11 e experimentou da nossa parte tão grande benevolência, que era chamado nosso pai e por todos adorado como o segundo depois do rei;

12 ele, porém, foi elevado a tal inchaço de arrogância, que se esforçou por nos privar do reino e da vida.

13 Pois a Mardoqueu, por cuja fidelidade e benefícios vivemos, e a Ester, partícipe do nosso reino, com toda a sua nação, buscou levar à morte com certas maquinações novas e nunca ouvidas;

14 pensando que, mortos eles, armaria ciladas à nossa solidão e transferiria o reino dos persas para os macedônios.

15 Nós, porém, não achamos absolutamente culpa alguma nos judeus, destinados à morte por esse péssimo dos mortais, mas, ao contrário, vemos que usam de leis justas,

16 e são filhos do altíssimo, máximo e sempre vivente Deus, por cujo benefício o reino foi entregue tanto aos nossos pais como a nós, e até hoje é conservado.

17 Por isso, sabei que aquelas cartas que ele expedira em nosso nome são nulas.

18 Por esse crime, diante das portas desta cidade, isto é, de Susã, tanto o próprio que o maquinou como toda a sua parentela pendem nos patíbulos: não fomos nós, mas Deus, quem lhe pagou o que mereceu.

19 Este edito, porém, que agora enviamos, seja afixado em todas as cidades, para que seja lícito aos judeus usarem das suas leis.

20 A eles deveis prestar auxílio, para que possam matar aqueles que se haviam preparado para a morte deles, no décimo terceiro dia do duodécimo mês, que se chama Adar.

21 Pois este dia de tristeza e de luto Deus onipotente lhes mudou em alegria.

22 Por isso, também vós, entre os demais dias festivos, tende este dia e celebrai-o com toda a alegria, para que também no futuro se reconheça,

23 que todos os que fielmente obedecem aos persas recebem digna recompensa por sua fidelidade; mas os que armam ciladas ao reino deles perecem por seu crime.

24 E toda província e cidade que não quiser ser participante desta solenidade, pereça pela espada e pelo fogo, e seja de tal modo destruída que se torne intransitável para sempre, não só aos homens, mas também às feras, como exemplo de desprezo e de desobediência.

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📚 Tradução Flamma Cordis (português moderno), a partir da Vulgata Clementina (domínio público), cotejada com fontes católicas. Leitura/estudo — sem imprimatur.