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📖 Eclesiástico

Capítulo 33

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1 Ao que teme o Senhor não sobrevirão males; mas, na provação, Deus o guardará e o livrará dos males. O sábio não detesta os mandamentos e os preceitos de justiça,

2 e não será destroçado como um navio na tempestade.

3 O homem sensato confia na lei de Deus, e a lei lhe é fiel.

4 Quem esclarece uma questão preparará o que dizer e, assim, tendo orado, será ouvido; guardará a disciplina e então responderá.

5 O coração do insensato é como a roda de um carro, e seus pensamentos são como um eixo que gira.

6 O amigo zombador é como um cavalo garanhão: relincha sob qualquer um que o monte.

7 Por que um dia supera outro dia, e de novo uma luz supera outra luz, e um ano a outro ano, vindo todos do sol?

8 Pela ciência do Senhor foram distinguidos, feito o sol, que guarda o seu mandamento.

9 E dispôs os tempos e as suas festas, e neles celebraram dias festivos na hora marcada.

10 A alguns dentre eles Deus exaltou e engrandeceu, e a outros pôs entre os dias comuns; e todos os homens são do solo e da terra de que foi criado Adão.

11 Com a abundância da sua sabedoria o Senhor os distinguiu e diversificou os seus caminhos.

12 A alguns deles abençoou e exaltou, a outros santificou e chegou a si; e a outros amaldiçoou e humilhou, e os afastou da sua posição.

13 Como o barro do oleiro está na sua mão, para o moldar e dispor,

14 todos os seus caminhos são conforme a sua disposição: assim está o homem na mão daquele que o fez, e ele lhe retribuirá segundo o seu juízo.

15 Contra o mal está o bem, e contra a morte a vida; assim também contra o homem justo, o pecador. E assim contempla todas as obras do Altíssimo: duas a duas, e uma contra a outra.

16 E eu, o último de todos, despertei, como quem rebusca os cachos depois dos vindimadores.

17 Na bênção de Deus também eu esperei, e como quem vindima enchi o lagar.

18 Vede que não trabalhei só para mim, mas para todos os que buscam a sabedoria.

19 Ouvi-me, magnatas e todos os povos; e vós, governantes da assembleia, prestai atenção com os vossos ouvidos.

20 A filho ou esposa, a irmão ou amigo, não dês poder sobre ti enquanto vives; e não entregues a outro os teus bens, para que não te arrependas e tenhas de suplicar por eles.

21 Enquanto ainda vives e respiras, ninguém te mude.

22 Pois é melhor que os teus filhos te peçam, do que olhares tu para as mãos dos teus filhos.

23 Em todas as tuas obras conserva a preeminência.

24 Não ponhas mácula na tua glória. No dia em que se completarem os dias da tua vida, e no tempo da tua partida, distribui a tua herança.

25 Forragem, vara e carga para o jumento; pão, correção e trabalho para o servo.

26 Trabalha sob correção e busca repousar; afrouxa-lhe as mãos, e busca a liberdade.

27 O jugo e a correia curvam o pescoço duro, e os trabalhos contínuos dobram o servo.

28 Para o servo malévolo, tortura e grilhões; manda-o trabalhar, para que não fique ocioso;

29 pois a ociosidade ensinou muita malícia.

30 Põe-no a trabalhar, pois assim lhe convém. E se não obedecer, dobra-o com grilhões; mas não te excedas com homem algum, e nada de grave faças sem juízo.

31 Se tens um servo fiel, seja ele para ti como a tua própria alma; trata-o como a um irmão, pois com o sangue da tua alma o adquiriste.

32 Se o ferires injustamente, ele fugirá;

33 e se, erguendo-se, partir, não sabes a quem perguntar nem em que caminho procurá-lo.

📚 Tradução Flamma Cordis (português moderno), a partir da Vulgata Clementina (domínio público), cotejada com fontes católicas. Leitura/estudo — sem imprimatur.