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📖 Deuteronômio

Capítulo 32

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🎧 Ouvir (Deuteronômio 32 · português moderno)

1 Ouvi, ó céus, o que eu falo; escute a terra as palavras da minha boca.

2 Condense-se como a chuva a minha doutrina, escorra como o orvalho a minha palavra, como a chuva sobre a relva e como gotas sobre a erva.

3 Porque invocarei o nome do Senhor: dai magnificência ao nosso Deus.

4 As obras de Deus são perfeitas, e todos os seus caminhos são justiça: Deus é fiel, e sem nenhuma iniquidade, justo e reto.

5 Pecaram contra ele, e na sua imundície não são seus filhos: geração depravada e perversa.

6 É isto que retribuis ao Senhor, ó povo tolo e insensato? Acaso não é ele o teu pai, que te possuiu, e te fez, e te criou?

7 Lembra-te dos dias antigos, considera cada geração: interroga o teu pai, e ele te anunciará; os teus anciãos, e eles te dirão.

8 Quando o Altíssimo dividia as nações, quando separava os filhos de Adão, fixou os limites dos povos segundo o número dos filhos de Israel.

9 Mas a porção do Senhor é o seu povo: Jacó é o cordel da sua herança.

10 Encontrou-o numa terra deserta, num lugar de horror e de vasta solidão: conduziu-o em redor, e o instruiu, e o guardou como a menina dos seus olhos.

11 Como a águia que incita os seus filhotes a voar, e voando sobre eles, estendeu as suas asas, e o tomou, e o levou sobre os seus ombros.

12 O Senhor sozinho foi o seu guia, e não havia com ele deus estranho.

13 Estabeleceu-o sobre uma terra elevada, para que comesse os frutos dos campos; para que sugasse mel da rocha e azeite da pedra duríssima;

14 manteiga do gado e leite das ovelhas com a gordura dos cordeiros, e dos carneiros, filhos de Basan; e bodes com a medula do trigo, e bebesse o puríssimo sangue da uva.

15 O amado engordou, e deu coices: engordou, ficou gordo e robusto, abandonou a Deus, seu criador, e afastou-se de Deus, seu salvador.

16 Provocaram-no com deuses estranhos, e com abominações o incitaram à ira.

17 Sacrificaram aos demônios e não a Deus, a deuses que desconheciam: vieram novos e recentes, que os seus pais não cultuaram;

18 Abandonaste o Deus que te gerou, e esqueceste o Senhor, teu criador.

19 O Senhor viu, e foi incitado à ira: porque seus filhos e filhas o provocaram.

20 E disse: «Esconderei deles o meu rosto, e observarei o seu fim: pois é uma geração perversa, e filhos infiéis.

21 Eles me provocaram com aquele que não era Deus, e me irritaram com as suas vaidades: e eu os provocarei com aquele que não é povo, e os irritarei com uma nação tola.

22 Um fogo se acendeu no meu furor, e arderá até as profundezas do inferno: e devorará a terra com o seu germe, e queimará os fundamentos dos montes.

23 Acumularei males sobre eles, e esgotarei contra eles as minhas flechas.

24 Serão consumidos pela fome, e as aves os devorarão com mordedura amaríssima: enviarei contra eles os dentes das feras, com o furor dos que se arrastam sobre a terra, e das serpentes.

25 Por fora a espada os devastará, e por dentro o pavor, tanto o jovem como a virgem, a criança de peito junto com o homem idoso.

26 Eu disse: «Onde estão eles? Farei cessar dentre os homens a memória deles.»

27 Mas, por causa da ira dos inimigos, adiei: para que porventura não se ensoberbecessem os seus adversários, e dissessem: «A nossa mão poderosa, e não o Senhor, fez todas estas coisas.»

28 É uma nação sem conselho e sem prudência.

29 Oxalá fossem sábios e entendessem, e previssem o seu fim.

30 Como perseguiria um só a mil, e dois poriam em fuga dez mil? Não é, porventura, porque o seu Deus os vendeu, e o Senhor os encerrou?

31 Pois o nosso Deus não é como os deuses deles: e os nossos próprios inimigos são juízes.

32 A sua vinha é da vinha de Sodoma, e dos arredores de Gomorra: a sua uva é uva de fel, e os seus cachos amaríssimos.

33 O fel dos dragões é o vinho deles, e o veneno incurável das víboras.

34 Porventura não estão estas coisas guardadas junto de mim, e seladas nos meus tesouros?

35 Minha é a vingança, e eu retribuirei a seu tempo, para que escorregue o pé deles: está próximo o dia da perdição, e os tempos apressam-se a chegar.

36 O Senhor julgará o seu povo, e terá misericórdia dos seus servos: verá que a mão deles enfraqueceu, e que também os encerrados desfaleceram, e os restantes foram consumidos.

37 E dirá: «Onde estão os seus deuses, nos quais tinham confiança?

38 de cujas vítimas comiam as gorduras, e bebiam o vinho das libações: levantem-se, e socorram-vos, e na necessidade protejam-vos.

39 Vede que eu sou o único, e não há outro deus além de mim: eu mato, e eu faço viver: eu firo, e eu saro, e não há quem possa arrancar da minha mão.

40 Levantarei a minha mão ao céu, e direi: «Eu vivo eternamente.»

41 Se eu afiar a minha espada como o relâmpago, e a minha mão empunhar o juízo: retribuirei a vingança aos meus inimigos, e pagarei aos que me odeiam.

42 Embriagarei as minhas flechas de sangue, e a minha espada devorará carnes; com o sangue dos mortos e do cativeiro, das cabeças desnudadas dos inimigos.»

43 Louvai, ó nações, o seu povo, porque ele vingará o sangue dos seus servos: e retribuirá a vingança contra os seus inimigos, e será propício à terra do seu povo.

44 Veio, pois, Moisés, e falou todas as palavras deste cântico aos ouvidos do povo, ele e Josué, filho de Nun.

45 E concluiu todas estas palavras, falando a todo o Israel,

46 e disse-lhes: «Ponde os vossos corações em todas as palavras que eu hoje vos testifico: para que mandeis a vossos filhos guardá-las e cumpri-las, e observar tudo o que está escrito desta lei:

47 porque não foram prescritas a vós em vão, mas para que cada um vivesse nelas: praticando-as, persevereis longo tempo na terra que, transposto o Jordão, entrais para possuir.

48 E o Senhor falou a Moisés no mesmo dia, dizendo:

49 «Sobe a este monte Abarim, isto é, da passagem, ao monte Nebo, que está na terra de Moab, defronte de Jericó: e vê a terra de Canaã, que eu entregarei aos filhos de Israel para possuírem, e morre no monte.

50 Subindo a ele, te reunirás aos teus povos, como morreu Aarão, teu irmão, no monte Hor, e foi acrescentado aos seus povos:

51 porque prevaricastes contra mim no meio dos filhos de Israel, junto às águas da contradição, em Cades, no deserto de Sin: e não me santificastes entre os filhos de Israel.

52 Em frente verás a terra, e não entrarás nela, a qual eu darei aos filhos de Israel.»

📚 Tradução Flamma Cordis (português moderno), a partir da Vulgata Clementina (domínio público), cotejada com fontes católicas. Leitura/estudo — sem imprimatur.